UM CHAMADO AO ARREPENDIMENTO
Muitos têm trocado a glória de Deus, esquecendo-se do Senhor e Salvador, e assim quebrando a aliança com Ele. Ao fazerem isso, perdem o brilho do Espírito Santo e abandonam a Sua glória. Desviam-se da verdade do evangelho e negam o sacrifício de Cristo na cruz. Enfraquecidos na fé, seguem por caminhos próprios, tornando-se alvos fáceis do inimigo de nossas almas, o nosso opositor, aquele que luta incessantemente para arrebatar as nossas vidas e nos impedir de oferecer a Deus os mais altos louvores e verdadeira adoração.
Esse processo, muitas vezes, não acontece de forma repentina. Começa com pequenas concessões, escolhas aparentemente inofensivas, mas que silenciosamente afastam o coração da presença de Deus. A chama do primeiro amor vai se apagando, e o que antes era paixão por Cristo se transforma em frieza espiritual, indiferença e conformismo com o mundo.
A Palavra nos alerta: “Porque o meu povo cometeu dois males: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jeremias 2:13). Abandonar o Senhor é trocar a fonte da vida por vazios sem sentido. É trocar a presença gloriosa do Espírito por promessas enganosas do mundo.
Aqueles que se afastam se tornam vulneráveis. Sem a armadura de Deus (Efésios 6:10-18), tornam-se presas fáceis do diabo, que anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (1 Pedro 5:8). Ele sabe que, uma vez enfraquecido na fé, o cristão já não discerne com clareza, já não ora como antes, já não vigia. E assim, o inimigo planta engano, dúvida e confusão.
Por isso, é necessário um clamor de arrependimento e retorno. O Senhor, em Sua misericórdia, chama o Seu povo de volta: “Torna, ó Israel, ao Senhor teu Deus, porque pelos teus pecados tens caído” (Oséias 14:1). Ainda há tempo de voltar. Ainda há tempo de restaurar a aliança, reacender a chama, buscar de novo o brilho da glória de Deus.
Não podemos permitir que as distrações, os prazeres passageiros e as pressões deste mundo nos afastem do nosso propósito eterno: glorificar a Deus com todo o nosso ser. Precisamos resistir firmes na fé, fortalecer nossas mãos cansadas, erguer nossas cabeças e correr com perseverança a carreira que nos está proposta (Hebreus 12:1-2), tendo os olhos fitos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé.
Que possamos permanecer firmes, guardando a aliança, zelando pela presença do Espírito, amando a verdade e valorizando o sacrifício da cruz. Que sejamos encontrados fieis, e que jamais troquemos a glória eterna por oscilantes brilhos temporais.
A vida cristã não é um caminho fácil, mas é o único que conduz à vida eterna. Jesus disse: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” (Mateus 7:13). A apostasia, ou seja, o abandono da fé, tem crescido de forma alarmante. Muitos estão trocando a verdade pela mentira, a santidade pelo pecado, e a cruz de Cristo pelos valores corruptos deste mundo.
Isso acontece quando o coração se torna endurecido, quando já não se ouve mais a voz do Espírito Santo, e a consciência se torna cauterizada (1 Timóteo 4:2). A Palavra deixa de ser prioridade, a oração é negligenciada, o culto se torna ritual vazio. E assim, pouco a pouco, o brilho da glória de Deus se apaga na vida do cristão que um dia foi cheio do fogo do Espírito.
É tempo de despertar. A Igreja precisa abrir os olhos espirituais e perceber a gravidade do distanciamento de Deus. Precisamos voltar à simplicidade do evangelho, à comunhão com o Pai, à vida de santidade, renúncia e consagração. O Senhor ainda estende a Sua mão. Ele ainda chama: “Volta, ó filho meu, porque grande é o meu amor por ti. Eu não me esqueci da aliança que fiz contigo.”
Deus é fiel mesmo quando nós somos infieis. Seu amor é paciente, e Sua misericórdia se renova a cada manhã (Lamentações 3:22-23). Mas a graça não pode ser tratada com desprezo. O Espírito Santo se entristece quando é ignorado, e pode se afastar de corações que insistem em rejeitar Sua presença. Lembremo-nos de Sanção, que ao brincar com o pecado perdeu sua força, e não percebeu que o Espírito de Deus já havia se retirado dele (Juízes 16:20).
Devemos aprender com os erros do passado e buscar com humildade uma vida reta diante do Senhor. Não basta parecer cristão por fora é necessário ser transformado por dentro. Deus deseja um povo separado, cheio da Sua glória, que O adore em espírito e em verdade. A verdadeira adoração não se limita a palavras ou músicas, mas a uma vida rendida ao Senhor.
A promessa é que, se voltarmos para Deus de todo o coração, Ele também voltará para nós (Zacarias 1:3). A restauração é possível. O brilho da glória pode ser reacendido. O Espírito Santo pode ser derramado novamente com poder sobre aqueles que se arrependem e buscam viver conforme a vontade de Deus.
Não deixemos que o inimigo roube o que Deus plantou em nossos corações. Resistamos às suas investidas, revestidos da armadura espiritual, com a espada da Palavra e a fé firmada em Cristo. Voltemos à cruz, ao sangue, ao arrependimento, ao quebrantamento. Voltemos a render ao nosso Deus os mais altos louvores, não apenas com os lábios, mas com uma vida consagrada e cheia do Espírito Santo.
A glória de Deus ainda deseja habitar em nós. Basta voltarmos para Ele com sinceridade e fé, e Ele nos receberá com braços abertos.
Estamos vivendo dias em que o mundo clama por luz, enquanto muitos que deveriam ser luzeiros no meio das trevas (Filipenses 2:15) têm escondido sua luz ou deixado que ela se apague. Isso acontece porque, quando o coração se distancia da glória de Deus, a visão espiritual se turva, e a alma se torna vulnerável à influência do pecado e do engano. Há uma batalha espiritual constante sendo travada por nossas almas, e precisamos estar alertas, vigilantes e firmados na verdade.
Não podemos esquecer que fomos comprados por alto preço (1 Coríntios 6:20). O sangue de Jesus não foi derramado em vão. Seu sacrifício na cruz foi completo, suficiente e poderoso para nos libertar das trevas e nos reconciliar com o Pai. Quando negligenciamos essa verdade, estamos, na prática, negando a obra da cruz e rejeitando a nova vida que nos foi dada. Isso é muito sério!
É por isso que o Espírito Santo nos convida hoje ao arrependimento e à reconciliação. A Palavra de Deus diz: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). Não há coração que Ele não possa restaurar. Não há vida tão quebrada que Ele não possa renovar. Tudo o que o Senhor deseja é um coração contrito e quebrantado (Salmo 51:17), disposto a voltar.
Quando nos arrependemos de verdade, a graça de Deus age em profundidade. Ele nos purifica, nos enche novamente com Seu Espírito e restaura a aliança que foi negligenciada. Voltamos a experimentar a alegria da salvação, a paz que excede o entendimento e a força que vem do alto. O brilho da glória retorna, e a nossa adoração se torna viva e agradável diante do trono.
O inimigo sabe do valor que temos para Deus. É por isso que ele se esforça tanto para nos desviar, nos distrair e nos fazer esfriar na fé. Mas maior é o que está em nós do que o que está no mundo (1 João 4:4). Em Cristo, somos mais que vencedores. Com Ele, podemos resistir ao diabo, e ele fugirá de nós (Tiago 4:7).
Por isso, não deixemos que o cansaço, o pecado ou as distrações deste tempo nos afastem da comunhão com o Senhor. Voltemos ao altar. Reacendamos a chama. Busquemos o Senhor enquanto se pode achar (Isaías 55:6). Ele ainda deseja nos envolver com Sua presença, encher-nos com Seu Espírito e nos usar como instrumentos vivos para a Sua glória.
Que cada um de nós faça um exame de consciência diante de Deus. Que possamos nos render novamente a Ele com sinceridade, confessar nossos desvios, e nos levantar em fé e obediência. Não é tarde para voltar. A glória de Deus ainda está disponível àqueles que O buscam de todo o coração.
Que o brilho do Espírito Santo volte a resplandecer em nossas vidas. Que sejamos encontrados firmes, fieis e cheios da presença do Senhor, até o dia em que O veremos face a face e habitaremos com Ele para sempre.
Amém.

