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TUDO VOLTA AO AMOR

Para além do horizonte, onde o infinito não alcança, é lá que mora a saudade guardiã silenciosa dos sonhos que se foram, levados pelo vento do tempo. Sonhos que nem mesmo os ponteiros conseguem retroceder, nem a memória consegue reviver plenamente. Há lembranças que repousam no limite do invisível, entre o que fomos e o que ainda desejamos ser.

É no presente, este instante  que nos é concedido como dádiva, que encontramos a oportunidade de escolher. Filtramos então nossos ideais, reconstruímos planos, e tentamos dar forma ao que um dia imaginamos ser o certo. Mas a vida, em seu movimento circular e misterioso, nos ensina que mesmo quando erramos tentando acertar, ainda assim estamos aprendendo. Cada passo, cada tropeço, é um fragmento de sabedoria escondido na caminhada.

Há momentos em que o coração se detém diante do passado e, em silêncio, deseja reviver o que ficou. Mas o tempo, em sua sabedoria, não volta. Ele apenas segue, sereno, convidando-nos a seguir também. E assim, aprendemos que a vida não é feita de voltas perfeitas, mas de recomeços imperfeitos que se tornam belos justamente por serem humanos.

Carregamos dentro de nós um universo de histórias, encontros e despedidas. Alguns capítulos deixaram marcas profundas, outros apenas sussurros. No entanto, todos nos moldaram, como o rio que escava a pedra sem pressa, até transformá-la em arte. A cada escolha, a cada erro, deixamos um pouco de nós e ganhamos um pouco de sentido.

A saudade, embora pareça doer, também é uma prova de que vivemos. Ela é o eco das emoções que um dia floresceram e hoje repousam no jardim da memória. E é desse jardim que colhemos as forças para continuar, mesmo quando a estrada se faz incerta e os sonhos parecem distantes.

No fim, compreendemos que viver é um ato de fé. É acreditar que, mesmo além do horizonte onde o infinito não alcança e o passado não retorna, ainda há luz, ainda há caminhos, ainda há novas chances de ser feliz. A vida é esse eterno convite ao recomeço, onde o tempo, o amor e a esperança se entrelaçam para nos lembrar de que nada está perdido, apenas transformado.

Assim seguimos, entre erros e acertos, entre o que foi e o que será, com o coração aberto e os olhos voltados para o invisível. Pois é lá, para além do horizonte, que o espírito repousa e encontra paz, sabendo que tudo o que viveu valeu a pena porque foi real, porque foi vida.

E quando o olhar se perde no horizonte, compreendemos que há mais do que o visível pode revelar. Existe um mundo silencioso onde os sentimentos repousam, e nele habitam os ecos das decisões que tomamos, das palavras que dissemos e das que calamos. É nesse espaço invisível que o coração aprende que o tempo não é inimigo, mas um mestre paciente, que ensina a esperar, curar e entender.

A vida é feita de estações. Algumas florescem com intensidade, trazendo o perfume da alegria e o calor do amor; outras se recolhem, permitindo que a alma aprenda a suportar o frio da ausência e o peso da saudade. E mesmo assim, quando tudo parece murchar, há sempre uma semente escondida, esperando a primavera da esperança para brotar novamente.

Há quem tente entender a existência por meio da razão, mas é o coração quem melhor traduz o mistério do viver. Ele sente o que as palavras não dizem, percebe o que os olhos não enxergam e compreende que, mesmo quando tudo parece perdido, há algo divino conduzindo os passos. Cada encontro, cada separação, cada lágrima e sorriso  tudo tem um propósito silencioso.

A saudade, por vezes, se transforma em ponte. Ela liga o ontem ao hoje e, ao atravessá-la, percebemos que não perdemos o que amamos, apenas mudamos a forma de amar. O tempo não rouba, ele apenas ensina a olhar diferente. E o que parecia distante passa a morar dentro de nós, como chama que não se apaga, mas aquece suavemente, lembrando que o amor verdadeiro não conhece o fim.

Há momentos em que nos cansamos da busca, desejando apenas repousar. E é então que o silêncio se torna um abrigo. No recolhimento da alma, encontramos respostas que o barulho do mundo esconde. Aprendemos que o verdadeiro valor das coisas não está em possuí-las, mas em senti-las com gratidão. A simplicidade, tantas vezes esquecida, é o portal que nos conduz à paz.

E quando olhamos para trás, não com arrependimento, mas com ternura, entendemos que até as dores foram necessárias. Elas lapidaram o ser, tornaram o coração mais sensível e os olhos mais humanos. O que antes parecia ruína, agora se revela alicerce. O que foi perda, hoje é uma lição. E o que parecia fim, era apenas o início de um novo capítulo.

Assim, o tempo deixa de ser inimigo e se torna aliado. Ele não leva, apenas transforma. Transforma o pranto em sabedoria, a saudade em lembrança doce, o medo em coragem. E nós, peregrinos do eterno, seguimos o caminho com o coração mais leve, aprendendo a agradecer por tudo, inclusive pelo que não entendemos.

Porque para além do horizonte, onde o infinito não alcança, mora a essência do que realmente somos,  fragmentos de eternidade experimentando a beleza efêmera da vida. E é ali, no encontro entre o finito e o eterno, que o espírito enfim repousa, compreendendo que nada se perde, tudo se transforma, tudo se reencontra, tudo volta ao seu verdadeiro lugar, o amor como o princípio de tudo.

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