Pular para o conteúdo

Transformados pela misericordia

TRANSFORMADOS PELA MISERICÓRDIA

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Rm. 12:1(ARA)

Este versículo nos exorta a dedicar inteiramente nossa vida a Deus, oferecendo nossos corpos, ou seja, tudo o que somos como um sacrifício vivo. Isso significa viver de maneira santa, separada do pecado, e agradável a Deus, não apenas por meio de palavras, mas por meio de uma vida que reflete a transformação que recebemos pela graça e misericórdia divina.

Este apelo é fundamentado na compaixão de Deus, ou seja, na misericórdia que Ele demonstrou ao nos salvar por meio de Jesus Cristo. Diante de tão grande amor e favor imerecido, a resposta adequada do cristão é a entrega total e voluntária da própria vida. Deus não exige de nós apenas momentos no templo ou palavras bonitas, mas sim um compromisso diário e constante com uma vida que o glorifique.

Apresentar nossos corpos como sacrifício vivo é reconhecer que pertencemos ao Senhor, que fomos comprados por alto preço (1 Coríntios 6:20), e que nosso viver deve refletir essa realidade. A expressão “sacrifício vivo” indica uma entrega contínua, diferente dos sacrifícios do Antigo Testamento que eram mortos no altar. O cristão permanece vivo, servindo, andando, falando e vivendo para a glória de Deus.

Esse sacrifício deve ser santo, ou seja, separado do pecado e consagrado para Deus. Isso não significa perfeição, mas sim uma vida comprometida com a santidade, buscando cada dia se afastar do mal e se aproximar mais do caráter de Cristo. Deve também ser agradável a Deus, não baseado em nossas preferências ou tradições humanas, mas segundo a Sua vontade revelada na Palavra.

Paulo conclui dizendo que isso é o nosso culto racional, uma adoração que faz sentido, que é lógica, verdadeira e espiritual. Cultuar a Deus vai muito além de músicas ou reuniões semanais. É uma vida inteira entregue, transformada e guiada pelo Espírito Santo. Este culto racional é o resultado de uma mente renovada, que não se conforma com os padrões do mundo(como Paulo continua dizendo em Romanos 12:2), mas se transforma para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Portanto, diante de tão grande misericórdia, somos chamados a viver para Deus. Que a nossa resposta diária seja: “Senhor, aqui estou. Usa minha vida como sacrifício vivo. Que minhas atitudes, palavras e escolhas te glorifiquem. Que eu viva não para mim mesmo, mas para aquele que por mim morreu e ressuscitou.”

Viver como um sacrifício vivo é um chamado à rendição total. Isso significa que todas as áreas da nossa vida devem ser entregues ao controle de Deus, nossos pensamentos, desejos, relacionamentos, hábitos, tempo e até mesmo os nossos planos para o futuro. Nada deve ficar de fora. Deus não quer apenas uma parte de nós. Ele deseja tudo. Isso é o verdadeiro culto racional.

O culto racional é aquele que flui da compreensão da graça de Deus e responde a ela com obediência sincera. É fruto de uma mente transformada, que reconhece quem Deus é e o que ele fez por nós.

Infelizmente, muitos querem experimentar as bênçãos de Deus sem se dispor a viver o sacrifício. Desejam a salvação, mas sem renunciar à velha natureza. No entanto, a vida cristã exige renúncia diária. Jesus disse:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.” (Lucas 9:23)

O sacrifício vivo não acontece apenas uma vez, mas é renovado todos os dias. A cada manhã, devemos reafirmar nossa decisão de viver para Deus, rejeitando o pecado, resistindo às tentações e buscando a santidade. Isso só é possível quando compreendemos a profundidade da misericórdia de Deus, pois é essa graça que nos fortalece para viver de maneira agradável a ele.

Além disso, apresentar o corpo como sacrifício também envolve serviço ativo. Nosso corpo é o instrumento pelo qual expressamos o amor de Deus neste mundo: com as mãos ajudamos os necessitados, com a boca proclamamos a Palavra, com os pés levamos o evangelho, com os ouvidos escutamos os que sofrem, com os olhos enxergamos as necessidades ao nosso redor. Não vivemos mais para nós mesmos, mas para cumprir a missão que Deus nos confiou.

A consagração do corpo também se manifesta na maneira como cuidamos dele. Devemos fugir da imoralidade, da impureza e de tudo o que desonra o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Isso inclui o que assistimos, o que falamos, o que consumimos e como usamos nosso tempo. Tudo deve estar debaixo da vontade de Deus.

Essa entrega gera transformação. No versículo seguinte, Paulo diz:

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…” (Romanos 12:2)

Quando nos entregamos por inteiro, Deus começa uma obra profunda de renovação. Ele muda nossa maneira de pensar, sentir e agir. Passamos a discernir a Sua vontade e a desejá-la acima de tudo. É assim que deixamos de viver segundo o padrão do mundo e começamos a refletir o caráter de Cristo.

Portanto, viver como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus não é um peso, mas um privilégio. É a resposta de gratidão de um coração que foi alcançado pela misericórdia. É o caminho da verdadeira adoração, da santidade e da comunhão com Deus. Que possamos, dia após dia, oferecer tudo o que somos no altar do Senhor, vivendo para a Sua glória e cumprindo com alegria o nosso culto racional.

Ao compreendermos o chamado para sermos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, também entendemos que essa entrega não é feita por obrigação ou religiosidade, mas como resposta amorosa à graça recebida. Toda verdadeira transformação começa com uma revelação da misericórdia divina. Quando o Espírito Santo nos faz perceber o que Cristo fez por nós na cruz, não conseguimos mais viver da mesma forma. Algo muda por dentro. Nossos valores são realinhados, nossos desejos são purificados e nossa mente começa a se renovar.

E esse processo  é explicado em Romanos 12:2:

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Conformar-se com o mundo é viver segundo os seus padrões, ideias e práticas. É aceitar como normal aquilo que está em desacordo com os princípios de Deus. Já a transformação é um processo contínuo de santificação, no qual deixamos para trás os valores do sistema mundano e passamos a viver segundo a verdade da Palavra.

O culto racional, portanto, envolve mente e coração. Nossa adoração não é cega nem emocional, apenas ela é fundamentada na verdade revelada por Deus. Por isso, o estudo da Bíblia, a oração e a comunhão com o Espírito Santo são tão importantes: são os meios pelos quais nossa mente é constantemente renovada e moldada à imagem de Cristo.

À medida que vivemos como sacrifício vivo, Deus nos usa para impactar o mundo ao nosso redor. Nossa vida se torna um testemunho vivo da graça transformadora do Evangelho. Nossos atos de bondade, nosso amor ao próximo, nosso compromisso com a verdade e a justiça, tudo isso fala mais alto do que palavras. A vida entregue a Deus é uma luz que brilha em meio às trevas, apontando para Cristo.

No contexto da igreja, essa entrega também se manifesta através dos dons espirituais, do serviço ao corpo de Cristo e da edificação mútua. Paulo, nos versículos seguintes de Romanos 12, mostra que cada membro do corpo tem uma função e que devemos exercer nossos dons com dedicação, humildade e amor. Tudo isso começa com a entrega do corpo como sacrifício vivo.

E finalmente, Romanos 12:1 nos convida a viver de maneira consagrada, santa e racional diante de Deus. Esse é o verdadeiro culto cristão  não limitado a templos ou momentos específicos, mas vivido em cada aspecto da vida diária. É um chamado à rendição total, à transformação interior e ao serviço constante ao Senhor.

Apresentar o corpo como sacrifício vivo não é um ato religioso, mas um estilo de vida. É reconhecer que tudo o que temos e somos pertence a Deus. É viver de forma santa neste mundo corrompido, buscando agradar ao Senhor em tudo, e não aos homens. É ser sal e luz onde quer que estivermos, permitindo que a glória de Deus se manifeste em nossas atitudes.

Que cada um de nós possa atender a esse apelo do apóstolo Paulo com sinceridade de coração. Que possamos dizer todos os dias: “Senhor, aqui estou. Minha vida é Tua. Usa-me para a Tua glória.” E que, por meio de nossa entrega, o nome de Cristo seja exaltado e o Reino de Deus avance na terra.

Amém.

Facebook
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados

A luz que guia os meus passos

A LUZ  QUE GUIA OS MEUS PASSOS Muitos O conhecem apenas de nome. Sabem pronunciá-lo, reconhecem sua história, já ouviram testemunhos sobre seus feitos e

Ler mais →