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QUANDO OS SONHOS DESPERTAM A ALMA

Poderia ter sido apenas mais um sonho desses que, ao despertarmos pela manhã, ainda nos envolvem com seus detalhes nítidos, imagens vívidas e sentimentos reais. E então, lentamente, fazemos o percurso de volta à realidade, ao mundo em seu movimento constante.

Mas havia algo diferente nesse sonho. Não era apenas a intensidade das cores, ou a maneira como as palavras soavam tão claras, como se tivessem sido ditas ali, ao lado do meu ouvido. Era a sensação de pertencimento. Como se, por um instante, tudo estivesse exatamente no lugar certo, inclusive eu.

Fiquei ali, de olhos abertos, mas ainda deitada, tentando agarrar os fragmentos antes que escapassem. Você já tentou segurar um sonho com as mãos. É como tentar prender o vento, quanto mais força se faz, mais rápido ele escapa. E mesmo assim, tentamos. Tentamos porque alguns sonhos parecem mais reais do que os dias que vivemos acordados.

Nesse sonho, o meu caminho era  iluminado por uma luz que não vinha de nenhum sol conhecido. Era uma luz mansa, que aquecia sem queimar. Havia silêncio, mas não era vazio, era cheio de paz. E alguém andava ao meu lado. Não havia rosto, nem nome, mas o meu coração me dizia que estava em segurança.

Quando acordei, o mundo já havia retomado seu ritmo. Carros passando, vozes apressadas, notificações no celular. Tudo exigindo presença, respostas, desempenho. E ali estava eu, dividida entre dois mundos,o que vivi em sonho, e o que precisava enfrentar desperta.

Mas, diferente de outras vezes, algo ficou. Uma memória suave, quase sagrada. Uma certeza de que, mesmo em meio à rotina, ainda posso tocar aquele lugar de paz não com os pés, mas com o espírito. Talvez o sonho tenha sido um lembrete. Um sussurro da alma dizendo que existe mais. Que há beleza escondida nas pausas, sentido nas entrelinhas, e presença divina nos detalhes.

Desde então, tenho tentado caminhar com mais leveza. Ouvir com mais atenção. Agradecer pelas coisas simples, como o cheiro do café, o riso inesperado, o toque de uma brisa no fim da tarde. Porque talvez os sonhos não estejam tão longe assim. Talvez eles apenas estejam nos ensinando a enxergar melhor a vida.

E  este sonho talvez seja um lembrete ou um aviso para um despertar para a vida.

Desde  então, venho prestando mais atenção aos momentos que antes me passavam despercebidos Às vezes, estamos tão ocupados em sobreviver que esquecemos de viver. Corremos atrás de metas, prazos, sonhos futuros, mas negligenciamos a beleza do agora. E o agora é tudo o que realmente temos.

Comecei a reparar na forma como a luz entra pela janela logo cedo,  e como as cores do universo  tem um brilho radiante. É quase como se o céu dissesse,estou aqui também, mesmo no meio da sua rotina. Há tanta poesia nas coisas pequenas na água que escorre entre os dedos, no som da chuva batendo no telhado, na pausa entre uma palavra e outra durante uma conversa sincera.

A vida parece querer nos ensinar, o tempo todo, a importância de estar presente. Mas nós insistimos em nos distrair. O sonho que tive me despertou para essa verdade simples: o sagrado está em todo lugar. Não precisa de templos altos, nem de momentos extraordinários. Às vezes, Deus sussurra na brisa, se revela no abraço de alguém querido, se manifesta na lembrança que surge de repente, e aquece o peito sem explicação.

Haverá sim  dias dias difíceis pois a vida não é ilusória existem compromissos a ser honrados, dores para lidar, relações para consertar. Mas  mesmo no meio do caos, há um lugar dentro de mim que me diz, que não estou sozinha. Que há propósito. Que existe um amor maior, silencioso e constante, que me sustenta quando tudo parece desabar.

Percebi também que os sonhos  tocam a alma para nos lembrar de quem somos. Não apenas o que fazemos, ou o que possuímos, mas quem somos lá no fundo, onde as vozes do mundo não alcançam. Somos mais do que nosso cansaço, mais do que nossos fracassos e conquistas. Somos essência. Somos eternidade em forma de gente.

E então, a cada novo dia, me esforço para não esquecer o que vivi. Não quero que o sonho se perca como tantos outros. Quero que ele se transforme em escolha a de viver com mais sensibilidade, mais gratidão, mais verdade. Quero aprender a sonhar acordada, com os olhos abertos e o coração disposto.

Porque talvez a vida não precise ser grandiosa para ser extraordinária. Talvez tudo o que ela quer de nós é que sejamos inteiros, mesmo nas partes pequenas.

E se for isso, então estou no caminho certo.

Com o passar dos dias, notei que aquela lembrança permanece viva, como uma semente que foi plantada florescendo em silêncio, sendo regada em cada escolha que faço.

Descobri que viver com profundidade não exige grandes gestos. Às vezes, é apenas parar por um momento para respirar fundo antes de reagir. É escutar alguém de verdade, sem interromper. É dizer obrigado com intenção, e não por costume. É perdoar, mesmo quando a dor ainda não passou. É aceitar que nem sempre terei todas as respostas, e tudo bem. Há sabedoria também no silêncio e no tempo.

Talvez esta experiência tenha sido uma resposta que meu coração já vinha pedindo há muito tempo. Uma forma gentil do divino me dizer: “Eu vejo você. Mesmo quando você se sente invisível. Mesmo quando você esquece de si mesma.”

E quantas vezes esquecemos de nós Nos perdemos em papeis, em compromissos, em máscaras. E, sem perceber, vamos nos afastando da nossa essência, até que um sonho ou um simples momento de pausa  nos chama de volta.

Hoje, enquanto escrevo essas palavras, olho pela janela e vejo o fim de tarde se desenhando no céu. É como se o mundo estivesse me dando um abraço silencioso. E eu permito que esse abraço me alcance. Permito-me sentir. Permito-me lembrar que a vida é frágil, breve, mas também cheia de beleza. Uma beleza que não precisa gritar, porque sabe exatamente onde tocar.

Aprendi que, às vezes, os sonhos não vêm para nos confundir, vêm para nos lembrar. Lembrar que há algo maior, mais profundo, mais verdadeiro esperando por nós dentro da própria vida. Basta estar presente. Basta voltar.

E assim eu sigo, um dia de cada vez. Com mais leveza, mais fé e menos pressa. Escolhendo enxergar o extraordinário no comum. A eternidade no instante. A graça no agora.

Porque se a vida é feita de momentos, então que os meus sejam vividos com inteireza. Que eu não passe apenas por ela, mas que  eu possa encontrá-la em meus sonhos..

E se, algum dia, eu me esquecer novamente..que outro sonho me encontre. E me desperte.

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