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O PESO INVISÍVEL NO MUNDO

Há uma estranha força no ar  invisível aos olhos naturais, mas claramente percebida pelos que têm discernimento espiritual. Uma presença densa, pesada, que paira sobre a terra e pressiona com força incalculável aqueles que vivem segundo o curso deste mundo. Muitos não a percebem, pois estão adormecidos em seus próprios desejos, distraídos pelas ilusões que o sistema terreno oferece. Vivem correndo atrás do vento, alheios à eternidade, cegos para a luz, surdos para a verdade.

Essa força não é nova. Desde o Éden, a serpente tem sussurrado suas mentiras, conduzindo os homens a caminhos largos, aparentemente agradáveis, mas que terminam em destruição. Hoje, ela se manifesta de maneira mais sutil  através de ideologias, paixões, entretenimentos, e até mesmo em filosofias que se opõem à cruz. O mundo jaz no maligno (1 João 5:19), e muitos seguem seu ritmo como se fosse natural, sem notar que estão sendo levados para longe do Criador.

E o que dizer daqueles que ousam seguir na contramão. Os que, por fé, escolheram abandonar o curso deste mundo para trilhar o estreito caminho da redenção, esses são, muitas vezes, ridicularizados, desprezados, considerados tolos por escolherem a santidade em vez do prazer, a verdade em vez da conveniência. Mas esses são os verdadeiros peregrinos, os que seguem ao encontro do Mestre, mesmo que isso lhes custe o conforto, a aprovação ou a própria vida.

Jesus foi claro: “Se o mundo vos odeia, sabei que, antes de vós, me odiou a mim” (João 15:18). Portanto, não devemos estranhar o peso que sentimos. Essa luta não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestiais (Efésios 6:12). Esse fardo que muitos carregam em silêncio é, na verdade, o confronto diário entre a luz e as trevas.

Mas há esperança. Para os que perseveram, há promessa. Aqueles que seguem o Cordeiro, mesmo sob zombarias e pressões, serão consolados. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6). O caminho pode ser estreito, mas leva à vida. A estrada é árdua, mas no fim dela está o Rei, de braços abertos, esperando seus filhos.

Que possamos, então, estar atentos. Que não sejamos engolidos pela correnteza deste século, mas que, revestidos da armadura de Deus, permaneçamos firmes. Pois ainda que uma estranha força pese sobre este mundo, maior é o que está em nós do que o que está no mundo (1 João 4:4).

O mundo oferece um caminho pavimentado com promessas vazias, conforto momentâneo e aplausos passageiros. Mas os que escolhem seguir a Cristo não caminham nessa estrada. Eles marcham contra a maré. São forasteiros nesta terra, cidadãos de um Reino que não é deste mundo. A cada passo, enfrentam resistências invisíveis, pressões internas e externas, e uma cultura que chama o mal de bem e o bem de mal (Isaías 5:20).

Essa oposição não deve surpreender os filhos da luz. O próprio Senhor Jesus advertiu que no mundo teríamos aflições (João 16:33). No entanto, a dor da rejeição, o peso da solidão e o sofrimento da incompreensão não são sinais de fracasso, mas de fidelidade. O caminho da cruz sempre foi marcado por renúncia e obediência. Negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguir o Mestre não é uma escolha popular, mas é o único caminho que conduz à verdadeira vida (Mateus 16:24-25).

Vivemos em tempos onde a aparência importa mais do que a essência. Onde a verdade foi relativizada e a santidade foi substituída por conveniência. Mas o Senhor continua chamando um povo separado, zeloso de boas obras (Tito 2:14), que não se conforma com este século, mas é transformado pela renovação da mente (Romanos 12:2). Esse povo não se dobra aos ídolos modernos: fama, dinheiro, ideologias, ou aceitação. Eles vivem para agradar a Deus, ainda que isso custe o favor dos homens.

A força invisível que atua no ar, descrita em Efésios 2:2 como o “príncipe da potestade do ar”, manipula os corações desatentos, influenciando mentalidades e comportamentos que parecem normais, mas estão carregados de engano. O povo de Deus, porém, é chamado a vigiar. A luz que há neles incomoda as trevas. Por isso são perseguidos, caluniados, silenciados. Mas também são sustentados por uma força maior. O Espírito Santo, que habita em cada crente verdadeiro, fortalecendo, ensinando e conduzindo à vitória.

Ainda que o peso do mundo pareça esmagador, os que esperam no Senhor renovam suas forças. Sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam (Isaías 40:31). Eles sabem que sua recompensa não está aqui, mas nos céus. Sabem que a leve e momentânea tribulação produz para eles eterno peso de glória (2 Coríntios 4:17). Eles não andam por vista, mas por fé. Não vivem para o agora, mas para o eterno.

Por isso, não desanime. Se você sente esse peso, se percebe essa guerra, saiba que você não está só. Os verdadeiros discípulos sempre foram minoria, mas jamais estiveram desamparados. Há uma nuvem de testemunhas, há anjos em batalha, e acima de tudo, há um Rei que reina soberano e virá buscar os seus.

Permaneça firme. Continue seguindo o caminho da redenção. A noite pode parecer longa, mas a aurora está chegando. Em breve, todo joelho se dobrará, e todo olho verá. O mundo passará, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre (1 Pedro 1:25).

A estrada é estreita. Poucos a encontram. E menos ainda decidem permanecer nela. Mas os que perseveram até o fim, esses serão salvos (Mateus 24:13). O chamado de Cristo nunca foi para multidões entusiasmadas, mas para discípulos comprometidos. O caminho da redenção não é revestido de glória humana, mas de humildade, lágrimas, lutas internas e externas e, ao mesmo tempo, de uma paz que excede todo entendimento, que guarda o coração e a mente em Cristo Jesus (Filipenses 4:7).

O justo vive pela fé, e não se rende à pressão do momento. Mesmo que tudo ao redor diga o contrário, mesmo que a força do mundo tente arrastá-lo para longe, ele fixa os olhos em Jesus, o autor e consumador da fé (Hebreus 12:2). Ele sabe que este mundo não é o seu lar. Ele é apenas um peregrino, caminhando rumo a uma pátria celestial. E mesmo que não tenha aqui repouso permanente, sua alma descansa na certeza de que o seu Redentor vive, e no fim se levantará sobre a terra (Jó 19:25).

Os que vivem pelo Espírito discernem os tempos. Sentem no ar o clamor da criação, a urgência da hora, e a aproximação do Dia do Senhor. Eles não estão iludidos com as promessas do sistema atual, pois sabem que este mundo está passando, com sua aparência e seus desejos (1 João 2:17). Suas afeições estão no alto. Suas esperanças não estão nas estruturas dos homens, mas na Rocha Eterna, que jamais será abalada.

É tempo de despertar do sono. Tempo de sacudir a poeira do comodismo e reacender a chama da fé. Muitos estão sendo vencidos não pela perseguição, mas pela distração. Estão exaustos não por resistirem ao mal, mas por se conformarem com ele. É necessário voltar ao primeiro amor, buscar ao Senhor enquanto se pode achar, e andar em santidade, sem a qual ninguém verá a Deus (Hebreus 12:14).

O Senhor está levantando um remanescente fiel,  homens e mulheres que não negociam seus valores, que não dobram seus joelhos a Baal, que não se vendem por aplausos ou conveniências. São esses que farão diferença nos últimos dias. São esses que brilharão como luzeiros no meio de uma geração perversa e corrupta (Filipenses 2:15). E quando o Rei retornar, será por eles que Ele virá.

A promessa está de pé: Ele enxugará dos olhos toda lágrima, e já não haverá morte, nem luto, nem clamor, nem dor, porque as primeiras coisas passaram (Apocalipse 21:4). O que hoje parece pesado e custoso será recompensado com glória eterna. E todo aquele que sofreu por amor ao nome de Cristo ouvirá do próprio Mestre: “Muito bem, servo bom e fiel. Entra no gozo do teu Senhor” (Mateus 25:23).

Permaneça. Lute. Espere. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação. Maranata! Ora vem, Senhor Jesus.

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