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O JARDINEIRO DO MEU CORAÇÃO

Quando o Senhor esquadrinha os meus ossos, o meu coração se aperta. Por vezes, não consigo entender de onde vem essa dor repentina, como se minha alma fosse aprisionada.

É nesse exato momento que ouço a voz do meu Senhor. Ele é o jardineiro do meu coração. Com sua voz suave, Ele me diz: “Tenha calma, estou aqui para cuidar de você. É tempo de renovar as folhagens. Estou cuidando de tudo. Muito em breve, você será um jardim florido, onde a alegria e a paz farão morada.”

Essas palavras soam como bálsamo em meio à angústia. E, mesmo sem entender todos os porquês, eu descanso. Porque sei que nas mãos dele, tudo que parece seco pode florescer outra vez. Há podas que doem, raízes que precisam ser arrancadas, galhos que já não geram vida e precisam cair. Mas tudo isso faz parte do cuidado. É amor, mesmo quando arde. Ele não me abandona à minha própria sorte. Ele está presente até nos silêncios.

O jardineiro não se apressa. Ele conhece o tempo certo de cada estação. E, ainda que o inverno insista em permanecer, sei que a primavera está a caminho. O solo do meu coração, por vezes endurecido pela dor ou pela dúvida, vai sendo amolecido pela sua presença. Ele rega cada parte com ternura, e mesmo quando não vejo mudanças externas, dentro de mim, algo começa a germinar.

Há esperança nas mãos dele. E há beleza em cada detalhe de sua obra. O que hoje é lágrima, amanhã será fruto. O que hoje é sombra, amanhã será descanso. Ele transforma o deserto em manancial, e onde havia dor, Ele faz brotar canções de alegria.

É nesse processo às vezes lento, mas sempre cheio de propósito  que aprendo a confiar. A esperar. A não me desesperar quando as folhas caem, porque sei que faz parte da renovação. Deus não desiste do jardim que plantou. Ele vê beleza mesmo nos ramos mais secos e acredita na vida mesmo quando tudo parece perdido.

Por isso, hoje eu escolho repousar nos cuidados do Jardineiro. Ainda que eu não entenda tudo, ainda que a alma esteja apertada, eu sei que ele está aqui. Cuidando de mim. Tratando as raízes. Retirando o que não serve mais. Preparando meu coração para florescer de novo.

E quando esse tempo chegar  porque ele vai chegar  a paz e a alegria não serão visitas passageiras, mas moradoras permanentes deste jardim. Porque onde o Senhor habita, a vida floresce.

Às vezes, o processo do cuidado divino parece silencioso demais. Não há trovões nem manifestações grandiosas, apenas um sopro manso que passa pela alma e sussurra: “Eu estou aqui.” E é nesse silêncio sagrado que o jardineiro continua trabalhando. Ele não precisa fazer alarde para transformar. Sua presença constante é o suficiente para manter viva a esperança.

Começo a perceber que, mesmo nas estações secas, ele nunca deixa de regar meu coração. Ainda que as folhas tenham caído, ele continuava cultivando vida em lugares escondidos. Ele vê o que ninguém vê. Enquanto os olhos humanos julgam pelas aparências, o Senhor enxerga sementes ocultas de fé, de coragem e de amor, sementes que ele mesmo plantou e está esperando o tempo certo para fazê-las brotar.

Há feridas em mim que só ele conhece. São raízes antigas que se misturam com lembranças, medos e culpas. Mas Ele não se intimida com isso. Pelo contrário, é nessas partes mais profundas que ele trabalha com mais paciência. Ele escava com misericórdia, limpa com compaixão, e restaura com graça. Nada do que há em mim é estranho ao seu olhar. E isso me dá segurança, posso estar inteiro diante dele com minhas flores e com meus espinhos.

O processo nem sempre é bonito. Às vezes é confuso, doloroso, cansativo. Mas também é verdadeiro, necessário e sagrado. Aprendo que não se trata apenas de estar bem, mas de estar sendo cuidado. Aprendo que nem tudo precisa florescer ao mesmo tempo, e que o tempo dele é sempre melhor que o meu.

Ele é o jardineiro que não abandona seu trabalho pela metade. Ele cuida até o fim. E quando me sinto sem forças, ele mesmo me carrega. Quando penso que não vou suportar, ele me mostra que a raiz está mais firme do que eu imaginava. Porque enquanto eu só via perdas, Ele estava fortalecendo os fundamentos.

A vida espiritual também é assim feita de ciclos, de podas, de invernos rigorosos e de primaveras abundantes. Há dias em que o vento parece forte demais, mas mesmo nesses dias, ele protege cada broto com suas mãos. E quando chega o tempo da colheita, entendo que nada foi em vão. Nem a lágrima, nem a dor, nem os momentos de silêncio. Tudo foi cuidado com propósito.

Agora, ao olhar para dentro de mim, começo a ver sinais de vida surgindo novamente. Pequenos botões de paz, folhas novas de esperança, o perfume sutil da fé. Ele está mesmo aqui. E o que Ele prometeu, Ele vai cumprir.

Muito em breve, este jardim florescerá por completo. Não porque eu mereço, mas porque ele é fiel. Porque ele me ama. Porque Ele nunca deixou de cuidar. Porque ele transforma o que é árido em terra fértil. E onde antes havia apenas dor, haverá canções de gratidão. Onde havia vazio, haverá plenitude. E onde havia sombra, o sol da justiça vai brilhar.

Tudo isso porque o Jardineiro do meu coração nunca desistiu de mim.

Com o passar do tempo, começo a entender que o cuidado de Deus nunca foi ausente apenas sutil, discreto e contínuo. Ele não age de forma apressada como nós muitas vezes queremos. Ele respeita o ritmo da alma. Trabalha com detalhes, trata o que os olhos não veem, e vai além do superficial. Seu amor é paciente. Ele não está apenas interessado em me consertar, mas em me formar. Em moldar Cristo em mim, mesmo quando isso exige passar por dores e recomeços.

Aprendi que não sou um terreno abandonado, mas um jardim em processo de restauração. E não qualquer jardim  mas o jardim do Senhor. Um lugar onde Ele caminha, sussurra, rega, limpa, renova. Um lugar de encontro. Um pedaço de céu plantado na terra do meu coração. E essa consciência muda tudo.

Já não me envergonho das folhas secas nem dos galhos quebrados. Sei que fazem parte da história. Cada marca, cada estação vivida, cada luta travada está sendo usada para produzir frutos que não apodrecem. Frutos que permanecem. Frutos do Espírito  como amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade e domínio próprio (Gálatas 5:22-23). E sei que esses frutos não são obra da minha força, mas resultado da presença fiel do Jardineiro.

Olho para trás e vejo que, mesmo nos dias mais escuros, ele nunca soltou minha mão. Mesmo quando me senti esquecido, Ele estava presente. Mesmo quando minhas orações pareciam não passar do teto, ele estava ali, agindo em silêncio. Porque o amor verdadeiro não precisa de aplausos nem de provas constantes ele se revela na constância, no cuidado diário, no compromisso de permanecer.

Hoje, com o coração mais calmo e os olhos da fé mais abertos, posso dizer que o processo valeu a pena. Ainda há muito a ser tratado, é claro. Sempre haverá algo a crescer, algo a podar, algo a florescer. Mas agora eu sei: estou em boas mãos. E nessas mãos, estou seguro.

Deus não se esqueceu de mim. Ele não desiste das suas promessas. E se ele começou uma boa obra em mim, certamente a completará (Filipenses 1:6). O tempo dEle é perfeito. O cuidado dEle é constante. E o amor dEle é imutável.

Por isso, termino esta jornada com um coração grato e cheio de esperança. Sei que haverá outros invernos, outras dores, outras lutas. Mas também sei que não enfrentarei nada sozinho. O Jardineiro está comigo. E onde Ele pisa, a vida floresce.

Que o meu coração permaneça sempre fértil para a sua vontade. Que eu nunca perca a sensibilidade de ouvir sua voz suave entre as folhas. E que, mesmo quando o mundo parecer seco, eu nunca me esqueça de que há um Jardim sendo cultivado dentro de mim um lugar onde a paz e a alegria sempre encontrarão morada.

Porque quem cuida de mim é o Senhor. E onde Ele habita, tudo se torna vida.

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