Pular para o conteúdo

Nem justo nem perfeito: apenas humano

NEM  JUSTO NEM PERFEITO: APENAS HUMANO

“Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque. Não aplique o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te; pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros.”(Eclesiastes 7:20-22)

Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque
Essas palavras do sábio em Eclesiastes soam como um espelho diante de cada um de nós. Elas não são uma condenação, mas uma constatação da realidade humana. Nenhum de nós é perfeito. Todos nós, em algum momento, falhamos seja por palavras, atitudes, pensamentos ou omissões.

Vivemos em uma época onde se espera muito dos outros, perfeição moral, coerência, pureza de intenções. Mas o sábio nos convida a fazer um movimento diferente: olhar primeiro para dentro. Quantas vezes já exigimos dos outros uma integridade que nem sempre praticamos.Quantas vezes julgamos sem saber toda a história. Quantas vezes falamos de alguém e, se alguém tivesse ouvido, teríamos ficado profundamente envergonhados.

O texto continua com uma recomendação sábia e prática:
“Não aplique o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te…”

Em outras palavras,  não leve tudo para o lado pessoal. Nem tudo o que os outros dizem merece um lugar no nosso coração. Às vezes, as pessoas falam no calor do momento, por impulso, por dor, ou simplesmente por fraqueza. E a verdade é que nós também já fizemos isso.

Há algo profundamente libertador nesse conselho, você não precisa carregar o peso de tudo o que dizem sobre você. Nem sempre é sobre você. E mesmo que seja, há um chamado à misericórdia. Se você já errou, e todos erramos, então também pode perdoar.

Esse texto nos lembra que viver é caminhar lado a lado com pessoas imperfeitas  assim como nós. A convivência humana exige empatia, paciência e uma certa leveza no trato com as falhas alheias. Se ouvirmos tudo, se reagirmos a tudo, se quisermos julgar tudo, acabaremos sobrecarregados e amargurados. E, pior, poderemos cair na hipocrisia de esquecer nossos próprios deslizes.

A humildade de reconhecer que também já amaldiçoamos, já criticamos, já ferimos nos torna mais humanos. Isso não é desculpa para o erro, mas é um convite à graça. E a graça, quando acolhida, se transforma em compaixão.

No fim, esse trecho de Eclesiastes nos chama a viver com mais maturidade emocional, com mais gentileza e com menos julgamento. Porque no fundo, estamos todos tropeçando, levantando e recomeçando.

Continuando esse olhar mais humano e sincero sobre Eclesiastes 7:20-22, podemos perceber que esse texto toca em um dos pontos mais sensíveis da nossa convivência: a expectativa que temos uns dos outros. Esperamos que os outros acertem. Esperamos que sejam justos, que nos tratem bem, que nos entendam, que não nos critiquem, que não falem mal de nós. Mas quando isso não acontece e inevitavelmente não vai acontecer, nos frustramos profundamente.

O texto nos alerta: “Não aplique o seu coração a todas as palavras que se dizem,Isso é sabedoria prática. Não é sobre ignorar tudo ou fingir que nada nos atinge, mas sim aprender a discernir o que vale a pena guardar no coração e o que devemos deixar passar. Se dermos atenção a cada comentário negativo, a cada palavra torta, a cada falha dos outros, viveremos como quem carrega pedras na mochila,  pesados, cansados e ressentidos.

Ao mesmo tempo, o versículo 22 vira o espelho para nós.
“…pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros.”
Essa parte é desconfortável, mas necessária. Ela desmonta a posição de vítima absoluta que às vezes adotamos. Nos lembra que, mesmo sem querer, nós também falamos mal, criticamos, julgamos, ferimos. E isso nos coloca no mesmo chão dos outros, o chão da imperfeição.

É nesse ponto que nasce a verdadeira humildade não aquela que se finge de pequena, mas a que reconhece suas limitações e, por isso, olha o próximo com compaixão. Quando lembramos que todos erramos, fica mais fácil perdoar. Fica mais fácil não exigir perfeição. Fica mais fácil escolher o silêncio ao invés da vingança.

Pense em quantas relações já foram desgastadas por palavras impensadas. Quantas amizades poderiam ter sido preservadas se tivéssemos aplicado essa sabedoria de ouvir menos, filtrar mais, julgar menos, perdoar mais.

Também podemos aplicar esse princípio no casamento, na família, no ambiente de trabalho, e até na igreja. Quantas vezes deixamos que palavras soltas se tornem muros entre nós e os outros. Mas Deus nos chama para construir pontes. E essas pontes começam com graça, paciência e compreensão.

Importante lembrar que perdoar ou relevar não é aprovar o erro. É decidir não deixar o erro dominar sua paz. É entender que viver bem não é exigir perfeição dos outros, mas buscar sabedoria em como reagimos aos imperfeitos, inclusive a nós mesmos.

Por fim, esse texto nos convida à maturidade espiritual. Reconhecer que todos pecam não nos leva à apatia moral, mas à dependência de Deus. Nos mostra que a justiça plena só se encontra nele, e que todos nós sem exceção precisamos de graça, todos os dias.

Viver com esse entendimento é caminhar mais leve. É saber que o mundo não gira em torno dos nossos sentimentos, e que nem toda crítica precisa ser respondida. Às vezes, o maior sinal de sabedoria é o silêncio cheio de paz de quem escolhe seguir adiante, confiando que Deus vê tudo, sabe tudo e cuida do nosso coração.

Diante dessa sabedoria tão prática de Eclesiastes, somos chamados a refletir sobre o tipo de pessoas que estamos nos tornando. Estamos nos tornando mais sensíveis à dor alheia ou apenas mais sensíveis ao que nos fere. Estamos aprendendo a lidar com os defeitos dos outros ou apenas reagindo a eles.

Viver neste mundo imperfeito com pessoas imperfeitas exige algo que só pode vir do alto,sabedoria com compaixão. Sabedoria para saber o que merece atenção e o que deve ser deixado de lado. E compaixão para lembrar que todos, inclusive nós, estamos em processo de amadurecimento.

A palavra de Deus não esconde nossas falhas, mas também não nos abandona nelas. Ao reconhecer que “não há homem justo sobre a terra que faça o bem e não peque”, Eclesiastes está nos preparando para o evangelho. Está nos mostrando que, por mais que tentemos ser bons, nossa bondade não é suficiente para nos tornar justos diante de Deus. É por isso que precisamos da graça. Precisamos de Cristo, o único verdadeiramente justo, que nunca pecou e, mesmo assim, carregou nossos pecados sobre si.

Quando olhamos para as falhas dos outros sob essa luz, percebemos que perdoar não é fraqueza é liberdade. É a capacidade de reconhecer que você também precisa de perdão, e por isso pode oferecê-lo. É a maturidade de quem sabe que, muitas vezes, o que o outro disse em um momento de raiva não define quem ele é da mesma forma que esperamos que nossos erros não definam nossa identidade.

Quantas famílias poderiam ser restauradas se as pessoas parassem de guardar no coração tudo o que ouvem.  Quantas amizades poderiam ser curadas se houvesse humildade para reconhecer que todos falham.  Quantas igrejas seriam mais saudáveis se, ao invés de alimentarmos fofocas, alimentássemos a graça.

O texto termina de forma silenciosa, mas impactante:
“Pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros.”
Esse reconhecimento nos iguala a todos. Nos tira da posição de juízes e nos coloca lado a lado como irmãos. Isso não nos torna coniventes com o mal, mas conscientes de que o caminho da restauração passa pelo perdão.

Então, ao viver essa verdade, aprendemos a não absorver tudo, a não reagir a tudo, a não julgar tudo. Aprendemos que, na vida, é mais sábio proteger o coração do que provar um ponto. Que é mais nobre oferecer o silêncio do que revidar uma ofensa. E que é mais cristão lembrar de nossas próprias falhas do que cobrar perfeição do outro.

Se existe algo que podemos levar deste texto, é isto:
Todos nós erramos. Todos nós precisamos de paciência. E todos nós podemos oferecer mais graça.

Que você escolha viver com leveza, guardando o coração, perdoando mais, julgando menos e confiando que Deus é justo, e que Ele vê o que ninguém mais vê, o esforço silencioso de quem escolhe o amor em vez da mágoa.

Amém.

Facebook
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados

A luz que guia os meus passos

A LUZ  QUE GUIA OS MEUS PASSOS Muitos O conhecem apenas de nome. Sabem pronunciá-lo, reconhecem sua história, já ouviram testemunhos sobre seus feitos e

Ler mais →