A UNIDADE QUE FORTALECE
Como Igreja, sou totalmente favorável a um bom convívio e à unidade entre os irmãos em Cristo, pois a comunhão mantém o corpo de Cristo saudável e se torna uma barreira celestial contra o inimigo de nossas almas. Quando caminhamos juntos, fortalecemos uns aos outros, compartilhamos cargas, celebramos vitórias e aprendemos, na prática, o verdadeiro significado de ser família espiritual.
Na Igreja de Cristo, somos todos colaboradores do Reino; não existe maior ou menor, cada um tem seu valor, seu dom, sua função e seu lugar. Não há espaço para vaidades, disputas, comportamentos impulsivos ou egos inflamados, pois tais sentimentos contradizem completamente os frutos do Espírito, que nos chamam à mansidão, ao amor, à paz e à humildade.
A vida em comunhão nos lembra constantemente que não estamos aqui para competir, mas para servir. Não para sermos vistos, mas para refletirmos Cristo. Não para buscarmos reconhecimento humano, mas para vivermos de modo que o nome do Senhor seja glorificado. E isso só é possível quando cada coração se dispõe a amar de verdade, sem interesses, sem comparações, sem resistências.
O próprio Senhor Jesus nos ensinou esse caminho. Em João 15:16-17, Ele declara:
“Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, Eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo o que pedirdes ao Pai, em Meu nome, Ele vos conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.”
Essas palavras revelam que fomos chamados não apenas para crer, mas para frutificar; não apenas para estar na Igreja, mas para sermos Igreja; não apenas para receber, mas para oferecer o melhor de nós ao próximo, como expressão do amor de Cristo que habita em nós.
Quando o amor é o fundamento, a comunhão se torna leve. As diferenças deixam de ser obstáculos e passam a ser riquezas. As fraquezas do outro já não são vistas como motivo de crítica, mas como oportunidade de estender a mão e manifestar graça. A unidade deixa de ser apenas uma ideia bonita e se torna um estilo de vida inspirado pelo próprio Espírito Santo.
Viver em unidade é também reconhecer que todos estamos em processo. Ninguém está pronto, ninguém é perfeito, e todos nós estamos diariamente sendo moldados pelo Senhor. Por isso, a tolerância, o respeito, o perdão e a empatia são essenciais para mantermos a paz que Cristo nos deu.
A comunhão verdadeira nos ensina a olhar além das aparências e enxergar o coração do irmão, lembrando que cada um carrega suas lutas, suas histórias e suas dores. Quando aprendemos a amar desse jeito, o ambiente da igreja se transforma em um refúgio, um lugar onde a presença de Deus é sentida não apenas na Palavra, mas também no cuidado mútuo entre nós.
Que sejamos, portanto, uma Igreja onde o amor seja a linguagem principal, onde a unidade seja o alicerce e onde Cristo seja sempre o centro. Porque, como Ele mesmo ordenou, “amai-vos uns aos outros.”
Amar uns aos outros é, acima de tudo, um exercício diário de humildade e entrega. Não é algo que surge naturalmente em todos os momentos, mas é fruto de uma escolha consciente de colocar o outro à frente dos nossos próprios interesses, assim como Cristo fez por nós. Quando nos dispomos a agir dessa forma, experimentamos a beleza do Reino de Deus aqui na Terra, pois o amor genuíno produz frutos que permanecem para sempre, impactando vidas e transformando corações.
A unidade entre os irmãos é, portanto, mais do que um ideal; é uma necessidade espiritual. Um corpo dividido, mesmo que seja forte em aparência, é vulnerável à influência do inimigo, que se aproveita das discordâncias, da falta de perdão e da indiferença para semear confusão e desânimo. Mas quando caminhamos juntos, com propósito e amor, a força que emana da comunhão cria uma barreira invisível, porém poderosa, protegendo cada membro e fortalecendo o coletivo. É nesse ambiente que o Espírito Santo se move livremente, guiando decisões, restaurando corações feridos e promovendo reconciliação onde antes havia rancor ou mágoa.
É importante lembrar que cada irmão tem seu tempo e seu processo. Nem sempre concordaremos em tudo, nem sempre compreenderemos imediatamente o que o outro sente ou pensa. Mas é exatamente nesses momentos que a graça precisa prevalecer. Precisamos aprender a ouvir com paciência, a acolher com bondade e a perdoar com sinceridade. A prática constante dessas atitudes não apenas fortalece a unidade, mas também reflete o caráter de Cristo em nós, tornando-nos verdadeiros instrumentos de transformação.
Além disso, a colaboração dentro da Igreja é um chamado que todos partilhamos. Cada dom, talento ou habilidade é uma oportunidade para servir ao próximo e contribuir para o crescimento do Corpo de Cristo. Não existe função pequena ou grande; cada ato de amor, cada gesto de cuidado, cada palavra de encorajamento é uma semente que produz frutos eternos. A verdadeira liderança, então, não se manifesta no domínio ou na posição, mas no serviço, na disposição de colocar os interesses do Reino acima dos próprios interesses.
Devemos, também, ser vigilantes quanto à nossa própria vida espiritual. A comunhão não se sustenta apenas na boa convivência; ela nasce de um coração dedicado a Deus, que busca constantemente Sua presença, Sua direção e Sua sabedoria. Quando mantemos nossa intimidade com Cristo, nosso amor pelo próximo se torna mais genuíno, nossa paciência mais verdadeira e nossa unidade mais firme. É a partir dessa fonte que todo gesto de cuidado e cada palavra de incentivo ganham poder e significado.
Por fim, viver em unidade e comunhão é testemunhar a outros o que significa pertencer ao Corpo de Cristo. É mostrar que a fé não é apenas uma crença pessoal, mas uma experiência viva de amor compartilhado, perdão praticado e propósito cumprido juntos. A igreja não é um prédio, mas uma família; não é um conceito, mas uma vida coletiva guiada pelo Espírito Santo. Que possamos, então, como irmãos e irmãs em Cristo, escolher todos os dias amar, servir e caminhar juntos, fortalecendo a unidade, promovendo a paz e deixando que o fruto de nossas vidas permaneça para a glória de Deus.
Que sejamos sempre instrumentos de comunhão, refletindo a luz de Cristo em cada ação e palavra, e que nosso amor uns pelos outros seja a marca visível de que pertencemos ao Seu Reino. Pois, como Ele mesmo disse, “Amai-vos uns aos outros”. Que esta seja a nossa maior missão e alegria.

