A PRESENÇA QUE NUNCA FALHA
O Deus da montanha é o mesmo Deus do vale. Ele é aquele que preenche o coração do oprimido, que fortalece os fracos de alma e de espírito. Somente Ele, o Senhor dos Senhores, é quem liberta os cativos e faz com que os cegos vejam a luz do dia.
Ele não muda conforme as circunstâncias. Sua fidelidade permanece a mesma, seja nos dias de bonança ou nas noites de tempestade. Quando tudo parece escuro, Ele continua sendo a luz. Quando as forças se esgotam, Ele se apresenta como renovador de vigor. A Sua graça é suficiente para os dias bons e absolutamente necessária nos dias maus. O Deus que te sustentou ontem é o mesmo que te carrega hoje e te conduzirá amanhã.
Na montanha, sentimos o vento suave do Espírito, enxergamos longe, temos clareza e visão. É fácil louvar quando tudo vai bem. Mas é no vale que somos moldados, fortalecidos e ensinados a confiar de verdade. É ali, nas sombras, que o caráter é forjado, e a fé é provada e purificada como o ouro no fogo.
O mesmo Deus que se revela em glória nas alturas também caminha conosco nos vales sombrios. Ele não abandona seus filhos. Ele é o Deus presente Emanuel que consola os que choram, sustenta os que caem e levanta os abatidos. Mesmo que os olhos naturais não vejam saída, Ele continua operando no invisível, abrindo caminhos no deserto e rios em terra seca.
Quantas vezes pensamos que estamos sozinhos, mas quando olhamos para trás, percebemos que ele sempre esteve lá, muitas vezes nos carregando nos braços. Não há cova tão funda que sua mão não possa alcançar. Não há prisão tão escura que sua luz não possa romper. Ele liberta, transforma e restaura.
Os homens podem falhar, as forças podem acabar, mas o Senhor é Rocha eterna. Seus olhos estão atentos aos que o buscam com coração sincero. Ele não despreza o clamor do aflito, e a oração do justo é como incenso que sobe ao seu trono. Ele é justo, mas também cheio de misericórdia. Julga com retidão, mas ama com compaixão.
Por isso, mesmo quando estivermos atravessando vales profundos, devemos lembrar: o Deus da montanha ainda está conosco. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele não falha, não se atrasa, e nunca desiste dos seus.
Confie nele. Espere nele. Porque no tempo certo, o vale se tornará caminho, as lágrimas se transformarão em júbilo, e a noite escura anunciará um novo amanhecer.
Ele é o Deus de todos os tempos, de todos os lugares e de todos os corações que o buscam em espírito e em verdade.
Por isso, não devemos medir o amor de Deus pelas circunstâncias que enfrentamos. Ele não nos ama menos nos dias difíceis, nem nos abandona quando o sofrimento bate à porta. Pelo contrário, é nesses momentos que sua presença se manifesta com maior ternura e poder. O próprio Senhor Jesus disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Ele nunca prometeu ausência de lutas, mas garantiu a Sua companhia em todas elas.
Quando estamos no vale, somos tentados a duvidar, a olhar para o tamanho da montanha diante de nós e esquecer o tamanho do nosso Deus. Mas é ali que precisamos erguer os olhos e declarar com fé: “Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio” (Salmo 91:2). Mesmo que tudo diga o contrário, mesmo que as circunstâncias pareçam insuportáveis, Deus continua no controle. Nada escapa ao Seu olhar, e nenhuma lágrima passa despercebida diante dele.
O vale não é o fim. Ele é apenas uma passagem, um lugar de aprendizagem, onde crescemos, amadurecemos e descobrimos quem realmente somos e mais ainda, quem Deus é. É lá que aprendemos a depender, a ouvir sua voz com mais clareza, e a valorizar os pequenos milagres do cotidiano. No vale, nossa oração se torna mais sincera, nosso louvor mais verdadeiro, e nossa intimidade com o Pai mais profunda.
Os heróis da fé também enfrentaram vales. José foi lançado numa cisterna e depois em uma prisão, mas Deus o exaltou no tempo certo. Davi passou anos fugindo de Saul, mesmo tendo sido ungido rei. Elias se escondeu numa caverna com medo e esgotado, mas ali ouviu a doce voz de Deus. Mesmo o Senhor Jesus, o Filho de Deus, passou pelo vale do Getsêmani, onde suou gotas de sangue e clamou ao Pai em angústia.
Isso nos mostra que o vale não é sinal de fracasso, mas um caminho de preparação. Deus usa os vales para alinhar nossos corações com o propósito dele. Ele nos esvazia de nós mesmos para nos encher da sua presença. No vale, somos curados, libertos e fortalecidos para caminhar em vitória.
E quando a vitória chega, quando finalmente alcançamos o alto da montanha novamente, levamos conosco as marcas da superação, a gratidão por termos sido sustentados e o testemunho vivo de que Deus foi fiel em todo o tempo. O louvor que nasce do vale é mais profundo, mais puro, mais cheio de verdade.
Portanto, não despreze o vale. ele é parte da jornada. Ele também é solo sagrado, onde Deus trabalha com amor e paciência em cada detalhe da nossa história. E no fim, veremos que cada passo, cada lágrima, cada oração feita em silêncio teve valor diante do trono da graça.
O Deus da montanha e do vale é o mesmo. E ele é bom sempre.
Mesmo quando não compreendemos o porquê de certas dores, podemos descansar na certeza de que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8:28). Nada é em vão quando nossas vidas estão nas mãos do Senhor. Os vales não são apenas lugares de sofrimento, mas também de revelações. É onde muitas vezes Deus se mostra mais próximo, mais presente, mais real.
Há vitórias que só são construídas no silêncio do vale. Há forças que só nascem da fraqueza confessada diante de Deus. E há um tipo de fé sólida, firme e inabalável que só é encontrada por aqueles que caminham com Deus mesmo quando tudo parece escuro. Fé não é ausência de dúvida, mas a escolha de confiar, mesmo sem ver. É dizer como o profeta Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17-18).
É nessa confiança que aprendemos a descansar. O mesmo Deus que abriu o Mar Vermelho para Israel é o que abre caminhos hoje para nós. O mesmo que fez água brotar da rocha no deserto é aquele que nos sacia com sua Palavra e nos sustenta com sua presença. O mesmo que ressuscitou Lázaro é o que pode trazer vida ao que está morto em nós. Não há impossíveis para o nosso Deus.
No final do vale, há uma mesa preparada. Como diz o Salmo 23: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” Deus transforma o cenário. Ele muda a paisagem. Ele restaura aquilo que foi quebrado e dá nova vida ao que parecia perdido.
E quando olhamos para trás, vemos que não andamos sozinhos. O bom Pastor esteve conosco em cada passo, mesmo quando nossos pés estavam cansados e nossas forças, quase esgotadas. Ele não apenas caminhou conosco, mas muitas vezes nos carregou em Seus braços.
Portanto, seja na montanha ou no vale, em dias de sol ou de tempestade, em tempos de abundância ou escassez, saiba que Deus permanece o mesmo. Seu amor é constante. Sua misericórdia se renova a cada manhã. Sua fidelidade dura para sempre.
Se você está na montanha, louve. Se está no vale, confie. Em todo tempo, adore. Porque o Senhor é digno. Ele é Deus de toda estação, Deus de toda geografia, Deus de todo coração.
E o melhor de tudo: Ele prometeu estar conosco “todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20). Não há solidão para aquele que anda com o Senhor. Sua presença é o maior presente, Seu amor é o maior sustento, e Sua graça é suficiente em todas as situações.
Que possamos seguir firmes, com os olhos no Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo. Porque com ele, vencemos os montes e atravessamos os vales, sempre para a glória de Deus. Amém.

