A FORÇA QUE VEM DO SENHOR
Eu não sou forte, mas coloco todos os dias a armadura do Espírito e preparo-me para viver mais um dia. Calço, então, as sandálias do evangelho da salvação e luto comigo mesmo para permanecer na caminhada da fé e da esperança. Fácil não é, mas o Senhor é a minha fortaleza e, sob o Seu poder, venço a velha criatura a cada dia.
Há momentos em que as forças parecem desaparecer, e o coração sente-se cansado diante das lutas da vida. Nessas horas, lembro-me de que não preciso vencer sozinho. A minha força não vem de mim, mas daquele que me sustenta quando os meus joelhos tremem e quando já não encontro palavras para orar.
A Palavra de Deus ensina-nos a revestir-nos de toda a armadura de Deus, para permanecermos firmes diante das batalhas espirituais. Por isso, procuro guardar a verdade no coração, proteger a minha mente com a esperança da salvação e usar a Palavra como espada para enfrentar os pensamentos que tentam afastar-me do caminho.
Todos os dias existe uma batalha dentro de nós. A velha natureza quer falar mais alto, o orgulho quer dominar, o medo quer paralisar e as preocupações tentam roubar a nossa paz. Mas é justamente nesses momentos que preciso lembrar quem sou em Cristo e em quem coloquei a minha confiança.
Não significa que nunca vou cair, nem que nunca vou sentir fraqueza. Significa que, quando cair, posso levantar-me pela graça. Quando errar, posso arrepender-me. Quando estiver cansado, posso descansar nos braços do Pai. E quando pensar que não vou conseguir, posso ouvir novamente a voz do Senhor dizendo que a Sua graça me basta.
A caminhada da fé não é feita apenas de dias ensolarados. Existem desertos, tempestades, noites silenciosas e momentos em que parece que estamos caminhando sozinhos. Porém, mesmo quando os nossos olhos não conseguem perceber, Deus continua presente. Ele não abandona os Seus filhos no meio da batalha.
Por isso, todos os dias quero vestir novamente a armadura da fé. Quero proteger o meu coração contra aquilo que me afasta de Deus, guardar os meus pensamentos e permanecer firme na esperança. Não porque sou forte, mas porque o meu Deus é forte.
E quando chegar ao fim de mais um dia, quero poder dizer: Senhor, eu não venci porque fui forte; venci porque Tu me sustentaste. Se permaneci de pé, foi porque a Tua mão me segurou. Se continuei caminhando, foi porque a Tua graça me conduziu.
Que amanhã, quando um novo dia nascer, eu possa novamente vestir a armadura do Espírito, levantar os olhos para o céu e prosseguir. Porque a batalha pode ser grande, mas maior é aquele que está comigo.
“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” — Filipenses 4:13
E assim sigo caminhando, um dia de cada vez, aprendendo que a vida cristã não é uma corrida de velocidade, mas uma caminhada de perseverança. Há dias em que avanço rapidamente, cheio de entusiasmo e confiança, mas também existem dias em que dou apenas alguns passos. Mesmo assim, continuo. Porque aprendi que Deus não exige de mim uma força que eu não tenho; Ele pede apenas que eu confie nele e não abandone o caminho.
Muitas vezes, aquilo que mais me cansa não são as lutas que acontecem do lado de fora, mas aquelas que acontecem dentro de mim. São pensamentos, lembranças, medos, dúvidas e sentimentos que tentam ocupar o lugar da fé. É nesse campo de batalha que preciso vigiar. Nem tudo o que penso é verdade, nem tudo o que sinto determina aquilo que Deus está a fazer na minha vida.
Por isso, preciso voltar constantemente à Palavra. Ela corrige os meus pensamentos, consola o meu coração e mostra-me que não estou sozinho. Quando a minha fé enfraquece, encontro nela promessas que me fazem levantar novamente. Quando o medo aparece, lembro-me de que Deus continua no controle. Quando o desânimo bate à porta, procuro abrir o coração para a esperança.
Vestir a armadura de Deus também significa aprender a permanecer em oração. A oração não é apenas pedir; é conversar com o Pai, abrir o coração, reconhecer as minhas limitações e entregar-Lhe aquilo que não consigo carregar. Existem batalhas que não vencerei com argumentos, nem com a minha própria capacidade. Existem batalhas que precisam ser colocadas diante de Deus.
É por isso que, antes de começar o dia, quero entregar os meus passos ao Senhor. Quero pedir sabedoria para as minhas decisões, domínio próprio para as minhas palavras, amor para tratar as pessoas e discernimento para não me deixar levar por aquilo que parece certo, mas pode afastar-me da vontade de Deus.
Também preciso aprender a perdoar. A velha criatura gosta de guardar mágoas, alimentar ressentimentos e recordar constantemente aquilo que nos feriu. Mas Cristo chama-nos para uma vida diferente. Perdoar não significa dizer que a dor não existiu. Significa entregar a Deus o direito de fazer justiça e escolher não permitir que a ferida governe o coração.
Há dias em que também preciso vencer o orgulho. Reconhecer que preciso de ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é reconhecer que sou dependente de Deus. A verdadeira força começa quando deixamos de fingir que conseguimos controlar tudo e colocamos a nossa vida nas mãos daquele que conhece o princípio, o meio e o fim de todas as coisas.
Quero continuar aprendendo a ser moldado pelo Espírito Santo. Quero que Ele transforme aquilo que ainda precisa ser transformado em mim. Que retire de dentro do meu coração aquilo que não agrada a Deus e faça nascer em mim frutos de amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
Sei que ainda tenho muito a aprender. Ainda existem áreas da minha vida que precisam ser entregues completamente ao Senhor. Ainda existem pensamentos que precisam ser renovados e atitudes que precisam ser corrigidas. Mas não quero desistir do processo.
Porque Deus não terminou a Sua obra em mim.
Enquanto houver vida, haverá oportunidade para recomeçar. Enquanto houver um novo amanhecer, haverá uma nova oportunidade de caminhar com Deus. Posso ter caído ontem, mas a queda de ontem não precisa determinar o meu amanhã.
Hoje posso levantar-me.
Hoje posso orar novamente.
Hoje posso acreditar novamente.
Hoje posso colocar a armadura novamente.
E continuar caminhando.
Não sou forte sozinho, mas sou sustentado por um Deus forte. Não conheço todos os caminhos, mas conheço aquele que guia os meus passos. Não sei o que encontrarei amanhã, mas sei em quem tenho colocado a minha confiança.
E é assim que quero viver: não confiando na minha própria força, mas descansando no poder de Deus.
Quando a tempestade vier, permanecerei firme.
Quando o deserto chegar, continuarei caminhando.
Quando a noite parecer longa, esperarei pelo amanhecer.
E quando a minha alma disser que não consegue mais, responderei com fé:
“O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui ajudado.” — Salmos 28:7
A minha força pode ser pequena, mas o meu Deus é grande. E enquanto Ele me sustentar, continuarei de pé, revestido da armadura da fé, caminhando pela graça e mantendo os olhos fixos em Cristo.
