O CHAMADO A UMA MATURIDADE ESPIRITUAL
O apóstolo Paulo declara: “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.(1 cor 13:11)” Com essas palavras, ele nos convida a refletir sobre o processo inevitável e necessário do crescimento espiritual. Assim como o desenvolvimento físico acontece com o passar do tempo, a fé também precisa amadurecer, abandonar práticas imaturas e assumir responsabilidades mais profundas diante de Deus.
Na infância espiritual, é comum viver uma fé baseada apenas em emoções, expectativas imediatas e compreensão limitada das Escrituras. Muitas vezes, reagimos às dificuldades com murmuração, impaciência ou medo. Falamos como meninos quando nossas palavras ferem mais do que edificam, pensamos como meninos quando colocamos nossos interesses acima da vontade de Deus; raciocinamos como meninos quando avaliamos a vida apenas pelas circunstâncias visíveis.
No entanto, o crescimento em Cristo nos chama a uma transformação interior. Tornar-se “homem”, no sentido espiritual, não se refere à idade, mas à maturidade do caráter. É aprender a responder com amor em vez de ira, com fé em vez de desespero, com sabedoria em vez de impulsividade. O cristão maduro compreende que nem tudo acontece conforme seus desejos, mas confia que Deus continua no controle, mesmo quando não entende os caminhos.
Esse versículo está inserido no capítulo que exalta o amor como a maior virtude cristã. Paulo deixa claro que a maturidade espiritual se manifesta, acima de tudo, na capacidade de amar. O amor é paciente, benigno, não busca seus próprios interesses e suporta todas as coisas. Enquanto a imaturidade gera divisões e contendas, a maturidade promove unidade, perdão e reconciliação.
Deixar para trás as coisas de menino significa renunciar às atitudes que não refletem Cristo, orgulho, inveja, egoísmo e falta de perdão. É permitir que o Espírito Santo molde nosso caráter diariamente, conduzindo-nos a uma fé sólida e perseverante. Esse processo não acontece de forma instantânea, mas por meio de uma caminhada constante de obediência, oração e comunhão com Deus.
Assim, esse versículo nos desafia a avaliar em que estágio da nossa fé estamos. Deus deseja que cresçamos, que avancemos e que vivamos uma fé madura, alicerçada no amor. A verdadeira maturidade espiritual se revela quando nossas palavras, pensamentos e ações refletem o caráter de Cristo, tornando-nos testemunhas vivas do seu amor no mundo.
Ao aprofundarmos ainda mais essa reflexão, percebemos que o amadurecimento espiritual também exige tempo, disciplina e disposição para aprender. Ninguém nasce espiritualmente maduro. O crescimento acontece à medida que enfrentamos desafios, atravessamos provações e permitimos que Deus trabalhe em nosso interior. Muitas vezes, são justamente as dificuldades que revelam se ainda agimos como meninos ou se já aprendemos a confiar plenamente no Senhor.
Falar como menino, no sentido espiritual, pode significar palavras precipitadas, críticas constantes ou confissões de fé frágeis, facilmente abaladas pelas circunstâncias. Já a maturidade se manifesta em palavras que edificam, consolam e glorificam a Deus. O cristão maduro entende o poder da língua e escolhe usar suas palavras para promover vida, esperança e reconciliação, mesmo quando é provocado ou injustiçado.
Pensar como menino está ligado a uma visão limitada da vida cristã, focada apenas nas bênçãos imediatas e nos próprios desejos. Quando não somos atendidos como esperamos, surgem frustrações e questionamentos que podem enfraquecer a fé. A mente madura, porém, aprende a enxergar além do presente, compreendendo que Deus age com propósitos eternos. Ela entende que nem sempre o “não” de Deus é rejeição, mas direção e cuidado.
Raciocinar como menino é interpretar a realidade apenas pela lógica humana, ignorando a dimensão espiritual. Já o raciocínio maduro se submete à Palavra de Deus, reconhecendo que os caminhos do Senhor são mais altos que os nossos. Isso não elimina dúvidas, mas conduz à confiança. O cristão maduro aprende a esperar, a discernir e a obedecer, mesmo quando não tem todas as respostas.
Deixar para trás as coisas de menino não significa endurecer o coração ou perder a sensibilidade espiritual. Pelo contrário, a maturidade aprofunda a empatia, a compaixão e o amor ao próximo. Quanto mais maduros nos tornamos, mais nos parecemos com Cristo em atitudes e reações. Passamos a servir sem esperar reconhecimento, a perdoar sem exigir justificativas e a amar sem impor condições.
Esse crescimento também se reflete no compromisso com a vida cristã. A maturidade nos leva a valorizar a oração, o estudo da Palavra e a comunhão com a igreja. Não buscamos mais a Deus apenas por necessidade, mas por relacionamento. Entendemos que Ele não é um meio para alcançar objetivos pessoais, mas o centro da nossa vida.
Por fim, esse versículo nos lembra que amadurecer é uma escolha diária. Todos somos chamados a avançar, a deixar o que é infantil e a assumir uma fé responsável e frutífera. Deus espera que cresçamos até alcançar a estatura de Cristo, vivendo uma fé que não depende das circunstâncias, mas que permanece firme no amor. Assim, nossa vida se torna um testemunho vivo da transformação que só o Senhor pode realizar.
Concluindo essa reflexão, somos convidados a compreender que a maturidade espiritual não é um ponto de chegada definitivo, mas um processo contínuo de transformação. Todos os dias somos desafiados a escolher entre permanecer em atitudes infantis ou avançar rumo a uma fé mais profunda e consciente. Deus, em sua graça, nos acompanha em cada etapa desse crescimento, tratando nossas limitações com amor e paciência.
À medida que amadurecemos, aprendemos que a vida cristã não se resume a experiências momentâneas, mas a uma caminhada fiel, mesmo nos dias silenciosos e aparentemente comuns. O cristão maduro não abandona a fé diante das lutas, nem se deixa levar por emoções passageiras. Ele permanece firme, sustentado pela certeza de que Deus é fiel e cumpre suas promessas no tempo certo.
Esse crescimento também nos capacita a lidar melhor com as diferenças, com os erros alheios e com nossas próprias falhas. Em vez de julgamentos precipitados, nasce um coração disposto a compreender, restaurar e caminhar junto. A maturidade espiritual nos ensina que todos estão em processo e que o amor deve ser o elo que nos une.
Deixar as coisas de menino é permitir que o Espírito Santo governe nossas decisões, nossos sentimentos e nossas atitudes. É escolher obedecer à Palavra mesmo quando isso exige renúncia, silêncio ou sacrifício. É entender que crescer dói, mas transforma, exige entrega, mas produz frutos eternos.
Assim, o ensino de Paulo permanece atual e necessário. Deus nos chama a crescer, a amadurecer e a viver uma fé que reflita Cristo em todas as áreas da vida. Que nossas palavras, pensamentos e escolhas revelem não uma fé imatura, mas um coração moldado pelo amor. Somente assim cumpriremos nosso chamado, vivendo como filhos maduros, firmados na graça e conduzidos pelo Espírito Santo. Amém.

